Conhecer o desempenho de algumas experiências de IA em uso em agências brasileiras foi o que reuniu reguladores e especialistas na manhã de quarta-feira (23/9), na Câmara Técnica de Inteligência Artificial, Inovação Tecnológica e Mudanças Climáticas (CTIAClima) da Associação Brasileira de Agências Reguladoras (ABAR).
Na abertura do encontro virtual, o presidente da ABAR, Vinícius Benevides, destacou a integração das agências reguladoras. Atualmente, 86 delas são associadas à ABAR. Benevides anunciou para 2027 um megaevento que reunirá toda a comunidade da regulação, no mês de outubro, em Brasília. A ABAR realizará, na mesma semana, o XV Congresso Brasileiro de Regulação e dois eventos internacionais que reunirão reguladores de quase 30 países: o Fórum Ibero-americano de Regulação (FIAR 2027), da Associação de Associação de Entes Reguladores de Água e Saneamento das Américas (Aderasa), e da Conferência da Rede de Reguladores de Serviços de Água e Saneamento de Língua Oficial Portuguesa (LusoReg).
Sob a mediação do coordenador da CTIAClima e diretor da ABAR, Matias Gonsales, a secretária executiva da CTIAClima, Thelma Maria Melo Pinheiro, explicou aos participantes da reunião que o propósito era compartilhar exemplos de uso prático da IA nas agências, com casos reais de aplicação. O superintendente de Gestão Interna da Informação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Gustavo Nery, apresentou o módulo SEI IA da Anatel, que foi desenvolvido pela agência para gerenciar o uso corporativo de ferramentas externas de IA de forma segura e governada. A solução de Inteligência Artificial Generativa integrado ao SEI foi baseada no GPT 5.2 e atualmente computa mais de 2 mil usuários internos e registra mais de 87 mil conversas desde agosto de 2024.
O pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) Antonio Lassance, apresentou seu trabalho de pós-doutorado na Escola Nacional de Administração Pública (Enap) sobre o uso de IA na análise de evidências para atividades regulatórias. Com base em três ferramentas de IA diferentes (Gemini Notebook, Consensos e Google Scholar Labs), Lassance desenvolveu uma ferramenta de análise de impacto regulatório que usa IA para processar grandes volumes de informações e ajudar na tomada de decisões regulatórias.
O pesquisador da FGV-Rio Lucas Thevenard demonstrou uma IA que processa as contribuições de mecanismos de participação social, como as consultas públicas. Seus modelos preditivos conseguiram prever com 84% de precisão se a Anatel aceitaria contribuições. Embora a IA auxilie na identificação de participantes, na classificação de direção regulatória e na fundamentação dos pedidos, a auditoria humana continua essencial para garantir precisão e verificabilidade dos resultados.
O superintendente de Regulação de Usos de Recursos Hídricos da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Marco Neves, compartilhou o atual estágio do experimento de regulação preditiva na Agência. A ferramenta está sendo desenvolvida com o objetivo de regularizar o uso de recursos hídricos no Brasil pelas empresas reguladas, por meio de outorgas e autorizações de direito de uso da água. O coordenador do Programa de Supervisão Regulatória Inteligente da Universidade Federal Fluminense (UFF), Raul Araújo, tratou dos desafios para implantação da IA em uma agência, a partir da sua experiência na Agenersa, e apresentou a proposta de um curso piloto para capacitar técnicos das agências em auditoria com IA, com acesso a ferramentas de desenvolvimento e suporte técnico especializado.
Assista à reunião da CTIAClima:



