Diante de um cenário de risco estrutural de queda identificado em duas pontes da rodovia MS-040, a concessionária Caminhos da Celulose, responsável pela rodovia, e a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (AGEMS) estão atuando para recuperar as estruturas e garantir condições seguras de circulação para os próximos dias. As obras definitivas nas pontes localizadas nos quilômetros 205 e 223 terão início em 12 de outubro, com prazo de 45 dias para execução dos serviços previstos nesta etapa.
Pelas obrigações contratuais, a concessionária apresentou, nos primeiros meses de contrato, os resultados das inspeções das pontes sob sua responsabilidade. Foi a partir desse levantamento que surgiram os primeiros apontamentos sobre as estruturas dos quilômetros 205 e 223 da MS-040, levando à elaboração de relatório técnico e à realização de avaliações mais aprofundadas.
A situação exigiu atenção extrema após terem sido identificados comprometimentos que vão além de uma necessidade rotineira de manutenção. Após a análise inicial feita pela concessionária, foi necessário realizar uma inspeção especial nas duas estruturas, que apontou um cenário mais grave do que o inicialmente observado, com risco de colapso nas duas pontes.
A equipe de engenharia da AGEMS também analisou as informações apresentadas pela concessionária, incluindo dados técnicos, registros fotográficos e avaliações das estruturas. A análise regulatória confirmou a necessidade de rever as condições estruturais das pontes e adotar medidas de reforço com urgência.
Para iniciar o processo de segurança, foi implantado o sistema de “pare e siga” para organizar a passagem de veículos leves durante as avaliações. Com a confirmação do risco, a restrição ao tráfego pesado tornou-se necessária, e placas de sinalização foram instaladas para alertar os motoristas.
Para o diretor-presidente da AGEMS, Carlos Alberto de Assis, a prioridade é garantir que as providências sejam tomadas com responsabilidade e base técnica.
“Quando uma inspeção aponta risco de uma ponte cair, a segurança precisa estar acima de qualquer outra consideração, até porque, quanto vale uma vida? Ela não tem preço. A AGEMS está acompanhando os dados técnicos e as medidas adotadas junto à concessionária para que o problema seja enfrentado com a urgência necessária. Nosso compromisso é com uma solução responsável, que preserve vidas e garanta condições seguras para o tráfego no futuro”, afirma.
Para o presidente da Caminhos da Celulose, Luiz Fernando De Donno, a ação rápida foi crucial para o início dos trabalhos e a recuperação das pontes.
“Identificamos o risco antecipadamente e agimos de imediato, adotando as medidas de segurança necessárias para evitar a interrupção completa da rodovia. Já iniciamos o processo de recuperação, com foco na segurança das pessoas e na agilidade dos serviços, para restabelecer as condições de tráfego no local o quanto antes”, afirma.
Desgaste de estrutura
O problema também precisa ser compreendido no contexto do transporte rodoviário de cargas em Mato Grosso do Sul. Com o excesso de peso por muitos anos, houve desgaste nas duas estruturas, que serão readequadas para a capacidade de carga prevista na norma vigente.
A diretora de Rodovias da AGEMS, Caroline Tomanquevez, destaca que a gravidade do cenário exige atenção redobrada tanto às medidas imediatas quanto ao planejamento das próximas etapas da obra.
“Não se trata apenas de recuperar uma estrutura, mas de assegurar que ela tenha condições adequadas para suportar o uso previsto. A restrição ao tráfego pesado foi uma medida preventiva necessária, e o trabalho agora precisa avançar com acompanhamento técnico, reforço estrutural e estudos que sustentem uma solução definitiva”, ressalta.
No quilômetro 205, os trabalhos antecipam serviços estruturais previstos para uma etapa posterior. Já no quilômetro 223, a intervenção também precisou ser incorporada à solução, embora essa ponte não estivesse originalmente prevista no escopo contratual de obras da mesma forma, em razão do planejamento de um contorno rodoviário em Santa Rita do Pardo.
O contorno está previsto para uma etapa posterior da concessão. A ponte, por sua vez, deverá passar à responsabilidade da prefeitura após a conclusão da estrutura viária prevista. Como essa solução não será implantada de imediato, tornou-se necessário atuar também na ponte existente, evitando que a situação permaneça sem resposta até a execução do contorno.
Fase final dos estudos e início das obras
As obras serão realizadas simultaneamente nas duas pontes, com serviços de fundação e implantação de estruturas metálicas de reforço. A etapa inicial busca recuperar as condições necessárias para uma futura liberação do tráfego de cargas pesadas, enquanto os estudos de engenharia continuam para definir e executar as próximas fases da recuperação.
A proposta é avançar para uma solução estrutural duradoura, que pode envolver reforço ou reconstrução, conforme os resultados dos estudos técnicos. Nesse primeiro momento, o projeto contempla o alargamento das pontes, com a implantação de espaço adicional para acostamento, ampliando a estrutura disponível e contribuindo para a circulação de veículos. A concessionária já está mobilizada para executar as obras em menos tempo. A previsão é concluir essa etapa até 30 de novembro. A retomada do tráfego pesado ocorrerá assim que as obras de reforço forem concluídas.



