Os desafios para formar corredores bioceânicos na América Latina, com a possibilidade de trens serem operadores em diferentes malhas, foram temas que mobilizaram reguladores e especialistas que a Associação Brasileira de Agências Reguladoras (ABAR) reuniu na Câmara Técnica de Transportes, Logística e Segurança Viária (CTTrans), na manhã de segunda-feira (21/9).
Presente no encontro digital, o presidente da ABAR, Vinicius Benevides, destacou existir um volume insuficiente de investimentos em infraestrutura no país, em comparação a outros países em desenvolvimento e a nações desenvolvidas. “Em uma analogia entre o investimento do Brasil em infraestrutura e a velocidade de um automóvel, o carro Brasil andaria a 50 quilômetros por hora (km/h), enquanto um país em desenvolvimento como a Índia rodaria a 240 km/h, os Estados Unidos, a mil km/h e a China, a 1,4 mil km/h”, afirmou.
O novo coordenador da CTTrans e diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Alex Azevedo, destacou a importância da interoperabilidade entre as malhas ferroviárias e a necessidade de integrar os corredores logísticos para reduzir custos e facilitar o escoamento da produção brasileira, especialmente considerando a riqueza natural do país.
Desafios ferroviários
O presidente da Ferroeste, André Luís Gonçalves, defendeu os benefícios da construção de um novo trecho de 150. Km de ferrovia de Cascavel a Iguaçu, que levaria a conexões já existentes em Chile, Argentina e Paraguai. Segundo ele, isso poderia poupar de 20 a 30 dias de transporte de uma carga brasileira enviada à China, em comparação ao fluxo regular via portos do Sudeste e posterior travessia via Canal do Panamá ou contornando o continente americano. Também no tema ferroviário, o superintendente de Transporte Ferroviário da ANTT, Fernando Feitosa, defendeu uma atualização do marco regulatório, estabelecido nos anos 1990, para viabilizar a ampliação da malha nacional.
Também presente à CTTrans, o diretor de Produção da Ferroeste, Gerson Almeida, afirmou que apenas 10 mil dos 35 mil km de ferrovia estão em operação plena, com 10 mil km abandonados e 15 mil km com baixa operação. Segundo Almeida, a interoperabilidade deve ser estimulada pelos agentes regulatórios.
Meio ambiente
A superintendente de Sustentabilidade, Pessoas e Inovação da ANTT, Cynthia Brayer, apresentou as ações da Agência em relação à resiliência climática, como a implantação do Centro Nacional de Supervisão Operacional. Segundo a superintendente da ANTT, 35 rodovias e 15 ferrovias concedidas já aderiram ao programa.
O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), José Aravecchia, explicou que o El Niño atual será um dos eventos mais intensos registrados desde a década de 1950, com águas oceânicas no Pacífico subindo mais de 3,5 graus Celsius além da temperatura normal. Segundo o especialista do INPE, as previsões apontam que as condições de El Niño continuarão até o final do ano, com temperaturas mais elevadas em todo o país.
Seminário
Segundo o coordenador da CTTrans, Alex Azevedo, e de seu secretário-executivo, Vinícius Dantas, as preocupações com o impacto do El Niño para a infraestrutura de transporte, especialmente devido às chuvas no Rio Grande do Sul e à seca no Amazonas, justificam a necessidade da realização de um evento presencial na ANTT, com foco na resiliência da infraestrutura de transporte diante dos desafios climáticos.



