Falta de saneamento faz Brasil gastar R$ 108 mi com internações

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Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

Novo estudo do Instituto Trata Brasil aponta que, mesmo antes da pandemia, doenças de veiculação hídrica causaram mais de 273 mil hospitalizações em um ano. As regiões com piores condições de saneamento apresentam os piores resultados.

O Instituto Trata Brasil (ITB) divulgou esta semana um novo estudo, intitulado “Saneamento e doenças de veiculação hídrica – ano base 2019”, feito a partir de dados públicos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) e o DataSUS. Os dados apontam que, mesmo um ano antes da pandemia de Covid-19, a ausência de saneamento básico já sobrecarregava o sistema de saúde brasileiro com 273.403 internações por doenças de veiculação hídrica – um aumento de 30 mil hospitalizações comparativamente ao ano anterior. A incidência foi de 13,01 casos por 10 mil habitantes, gerando ao País gastos de R$ 108 milhões.

Quase 35 milhões de brasileiros vivem em locais sem acesso à água tratada e 100 milhões não têm acesso à coleta de esgoto. Além disso, somente 49% dos esgotos no País são tratados, conforme apontam os dados do SNIS (2019).

As internações por doenças causadas pela falta de saneamento se distribuem pelo território nacional refletindo as condições sanitárias de cada região. Nota-se que a ausência dessa infraestrutura é mais evidente no Norte, onde somente 12% da população possui coleta de esgotos; naquela região, foram 42,3 mil as internações por doenças de veiculação hídrica. Em seguida, vem o Nordeste, onde somente 28% da população possui coleta de esgotos, e onde ocorreu o maior número de hospitalizações – 113,7 mil em 2019.

O Sul foi a terceira pior região: 46,3% da população tem acesso à coleta dos esgotos e 47% do esgoto gerado é tratado. Centro-Oeste tem 57,7% da população com coleta dos esgotos e 56,8% de tratamento do volume esgoto coletado. As duas regiões registram 27,7 mil internações cada. Já o Sudeste tem os melhores indicadores, com 79,2% da população com coleta de esgotos, porém com apenas 55,5% do esgoto gerado sendo tratado e 61,7 mil internações.

Porém, é importante observar que o Sudeste apresenta números de internação maiores que o Norte mas possui sete vezes mais habitantes. Quando comparados os casos por 10 mil habitantes, vê-se que os estados do Norte e Nordeste concentram os maiores problemas.

Saiba mais e baixe o estudo no site do Instituto Trata Brasil