Como escolher a tecnologia mais adequada para determinada rede de distribuição de gás, como estruturar um sistema de medição em uma nova rede residencial e como gerenciar perdas em um ambiente suscetível a fraudes são questões que fazem parte do dia a dia dos gestores das distribuidoras de gás canalizado. O curso “Infraestrutura de Gás – Medições Inteligentes e Gestão Integrada”, que a Associação Brasileira de Agências Reguladoras (ABAR) realizará entre 24 e 27 de fevereiro, em formato on-line, apresentará soluções para quem trabalha no mercado regulado, mas também para os servidores das agências de regulação responsáveis por auditar os dados informados pelas concessionárias.
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A experiência de 25 anos no mercado de óleo e gás credencia o professor Carlos Eduardo Barateiro a tratar das informações mensuradas pelos equipamentos sob a perspectiva do conceito de classes de exatidão. “Entrei no mercado em uma empresa de instrumentação. Na Emerson, trabalhei 19 anos na área de instrumentos. Depois, implantei a primeira unidade de computadores de vazão, que são as ‘caixas registradoras’ do sistema”, afirma o professor, que se graduou engenheiro mecânico na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e tem mestrado (engenharia civil) e doutorado (engenharia de produção) pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Conceitos como medição fiscal, transferência de custódia e rastreabilidade metrológica vão alicerçar a compreensão de conteúdos mais voltados à gestão das empresas do setor. “As distribuidoras se preocupam em reduzir a diferença entre o que recebem da transportadora e o que distribuem de gás. Se a empresa recebe e paga por muito mais gás do que consegue vender, devido a perdas e ao volume de gás não contabilizado, acaba tendo prejuízo”, afirma o professor. A medição de gás natural em linha, a calibração de medidores de vazão e as diferentes soluções tecnológicas disponíveis no mercado – Orifício, Turbina, Ultrassom, Coriolis e DP – são alguns dos conhecimentos que serão compartilhados no curso para conferir mais segurança e eficiência ao trabalho dos técnicos das empresas distribuidoras que atuam na ponta.
Reguladores
O programa do curso também foi pensado para capacitar reguladores do setor de gás natural a compreender as particularidades da operação do gás canalizado. Segundo o professor Carlos Eduardo Barateiro, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) desenvolveram, nas últimas décadas, regulamentos técnicos para os setores de transporte, exploração e produção de petróleo e gás. “As agências reguladoras de gás dos estados ainda não têm um bom padrão de regulamento. Falta um documento unificado que crie uma sistemática de medição”, diz o professor. Para suprir essa carência, sistemas de amostragem, avaliação de incertezas da medição e critérios normativos foram inseridos no programa da capacitação.
Um dos módulos do curso será inteiramente dedicado à análise técnica de sistemas de medição. Nesse módulo, a análise de certificados de calibração, a interpretação da cromatografia e a auditoria do computador de vazão serão abordadas, acompanhadas de estudos de caso (city-gate, grande cliente e balanço energético), para respaldar os conhecimentos teóricos. Para o coordenador da Câmara Técnica de Petróleo e Gás (CTGás), Vladimir Paschoal, o conhecimento deve elevar o nível do serviço prestado pelas agências reguladoras estaduais. “Ao unirmos o rigor da metrologia com as novas fronteiras da Inteligência Artificial e do Big Data, nosso objetivo é construir um padrão técnico de excelência que converse com as diretrizes da ANP e do Inmetro, garantindo que a regulação acompanhe a evolução tecnológica do mercado e promova a eficiência em toda a cadeia de distribuição”, afirma Paschoal.
Big data e a regulação do gás
O professor Raul Araújo mostrará como os novos modelos de Inteligência Artificial, muito mais amigáveis para quem não é da área de Tecnologia da Informação (TI), podem ajudar no trabalho de reguladores de gás natural. Advogado de formação, Araújo provará que é possível integrar as mais avançadas tecnologias de medição de gás aos sistemas operacionais, comunicando os resultados das medições em dashboards adequados para o setor. No mesmo módulo do curso, a turma será apresentada às possibilidades de integração do machine learning às atividades de fiscalização das agências reguladoras. A trajetória acadêmica de Araújo inclui mestrado em engenharia pela COPPE/UFRJ, MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV e especialização em Gestão do Conhecimento pela COPPE/UFRJ. Araújo é consultor e professor do centro de excelência da UFRJ, e também leciona no Ibmec.
O último módulo do curso será dedicado a técnicas de auditoria de dados, aplicação da ferramenta de Business Intelligence (BI) à regulação, desenvolvimento de automações com a ajuda da IA em Python e a conteúdos de transparência, como a Lei de Acesso à Informação (LAI), portais regulatórios e comunicação acessível. “Vejo esse curso como uma oportunidade estratégica, pois a medição precisa e a gestão integrada de dados são os pilares para uma fiscalização eficiente e para a segurança jurídica das concessões” diz Paschoal, que também atua como conselheiro da Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa).
Para servidores e colaboradores que atuam em agências associadas à ABAR, a formação tem custo zero.



