Comerciantes do MS querem tarifa mais justa para o gás canalizado

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O gás canalizado há anos tem facilitado a vida de muitas pessoas, principalmente aquelas que atuam no comércio, seja em bares, restaurantes, padarias ou lanchonetes. Em Campo Grande, a Agepan (Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de MS) ouviu a opinião de alguns empresários sobre o nível de satisfação no fornecimento desse serviço prestado pela companhia de gás de Mato Grosso do Sul (MSGás). 

Na Avenida Bom Pastor, considerada hoje o maior corredor gastronômico da Capital, a opinião dos comerciantes sobre o fornecimento do gás foi unânime: o atendimento pela empresa não contém falhas, porém reclamam do valor da tarifa e defendem uma política de reajuste mais adequada por parte da Petrobras, que é o supridor da MSGás. 

Pedro Guilherme Coco, 33 anos, é proprietário do restaurante Feijão com Arroz e contou à reportagem que mesmo com o aumento dos preços, o gás  natural ainda é a melhor opção, pois antigamente havia muitos imprevistos com o GLP. 

“O gás (canalizado) não falha, nunca tivemos problemas com o fornecimento, é um serviço ótimo eu diria, lógico que se fosse mais barato seria melhor, mas como está tudo mais caro, ainda sim compensa”, explica. 

O empresário José Thomaz Filho, de 58 anos, dono da lanchonete Thomaz Lanches, disse que é inegável que o gás canalizado é um espetáculo pela praticidade que proporciona desde que foi implementado no comércio. 

“A empresa é muito séria, com gente competente que lida com isso, nós sempre fomos muito bem atendidos pela MSGás, porém o que atrapalha é o preço, antigamente havia uma negociação na tarifa, porém hoje a gente fica refém, se aumenta não tem jeito tem que pagar, mas fora isso o suporte é excepcional”, conta. 

Carlos Martins, 52 anos, proprietário do restaurante Fino Sabor foi um dos pioneiros a aderir o gás canalizado na região: “No começo a gente teve um incentivo para manter o gás, era bom, hoje em dia não tem mais isso, é preciso se adequar a eles, realmente a tarifa é muito alta. Porém, em questão de manutenção, se houver vazamento ou alguma situação diferente, eles dão total apoio, nesse ponto não há nada para reclamar, prestam o suporte que precisamos”.   

Para o diretor-presidente da Agência, Carlos Alberto de Assis, é extremamente importante conhecer a opinião das pessoas que utilizam esse serviço no Estado. “Com inovação e muito trabalho, a Agepan quer levar bons resultados e informação de qualidade para a população conhecer melhor os serviços públicos. É importante essa troca, para que as empresas conheçam e estejam alinhadas. Aqui temos todos os canais de comunicação junto com a Ouvidoria para atender os consumidores de Mato Grosso do Sul”, afirma.

O supridor de gás da MSGás informou os novos preços do gás natural – para as distribuidoras – neste trimestre que vai até agosto. No último dia 20, foi publicada em Diário Oficial, a portaria 205 de 16 de setembro deste ano que aprova a nova tarifa média de distribuição em Mato Grosso do Sul, que em relação ao valor do trimestre anterior, tem o percentual de reajuste total de 7,16%.

O impacto por Segmento de Consumo percebido pelo consumidor em média com o reajuste do gás canalizado será de 3,57% no Segmento Residencial; 3,93%, no Segmento Comercial, 4,82% no Segmento Industrial, 5,98% na Cogeração, 5,94% no GNC e 7,16% no GNV.

O diretor de Gás, Energia e Aquário da Agência Reguladora, Valter Almeida da Silva, explica que esse percentual de reajuste não é repassado integralmente ao consumidor. “Apesar desse percentual de reajuste aplicado pela Petrobras, em função das margens diferenciadas para cada segmento de consumo, foi possível reduzir o repasse aos consumidores residenciais e comerciais, com a percepção de um impacto em torno de 3,75% para esses segmentos”, explica. 

A Tarifa Média é composta pelo Preço de Venda (PV) do supridor de gás e pela Margem Bruta (MB) de distribuição da MSGás, utilizando-se a fórmula TM = PV + MB. Os valores são estabelecidos em reais por metro cúbico (R$/m³). É chamada assim porque serve de base às tarifas diferenciadas que a concessionária poderá adotar junto aos seus clientes, conforme estabelecido no Contrato de Concessão, considerando o nível, tipo e perfil de consumo. 

A Agência Reguladora não determina o preço a ser cobrado de cada classe de consumo, mas estabelece que para todos os consumidores, a concessionária deverá manter uma receita, no máximo, igual à que seria obtida na tarifa média ao volume comercializado no período anual de referência.