Aneel participa de fórum sobre desafios do setor após a pandemia

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O diretor-geral da Aneel, André Pepitone, integrou nesta quarta-feira, 14/7, o painel de abertura do Fórum Internacional “Desafios do setor de energia após a pandemia”, promovido pela Osinergmin, entidade reguladora de energia do Peru. Pepitone participou do fórum na condição de presidente da Associação Ibero-americana de Entidades Reguladoras da Energia (ARIAE).

O painel foi realizado em forma de mesa-redonda com representantes da Osinergmin, da Confederação Internacional de Reguladores de Energia (ICER), dos Reguladores de Energia do Mediterrâneo (MEDREG) e da Associação Regional de Reguladores de Eletricidade do Sul do África (RERA). “Agora, olhando para o futuro, entendemos que voltar a  acreditar é fundamental, mas também é igualmente importante alcançar o crescimento de qualidade”, disse Pepitone aos participantes.

“Devemos desenhar uma recuperação que dê máxima prioridade às pessoas. Para que seja inclusiva, especialmente para chegar aos últimos 2% da população que ainda não têm acesso à eletricidade”, complementou, referindo-se ao universo de pessoas ainda não atendidas por serviço de energia elétrica na região ibero-americana.

Questionado sobre os desafios para o acesso universal à energia, Pepitone lembrou o processo acelerado de transformações pelo qual passa o sistema elétrico no século XXI e as tendências sociais e tecnológicas que o sustentam – entre elas, a consciência ambiental e a mudança no comportamento do consumidor. “Atualmente, temos um consumidor que quer ter um papel mais ativo em suas decisões de consumo, podendo, inclusive, gerar sua própria energia por meio da geração distribuída.”

Os veículos elétricos e a popularização dos sistemas de armazenamento foram igualmente citados como características disruptivas das transformações deste século. “Do lado da geração de energia, a digitalização também permite a operação do sistema de forma mais automatizada, visando maior segurança e eficiência na operação do sistema”, disse.

Além da digitalização, o diretor-geral da Aneel destacou a descarbonização e a descentralização como os pilares do novo setor elétrico. O último deles foi exemplificado por meio das minirredes e sistemas domésticos existentes em áreas isoladas, remotas e de baixo consumo da região ibero-americana, onde se concentra a maior parte da lacuna que ainda falta ser alcançada pela universalização do serviço.

Em favor da descarbonização, Pepitone ressaltou as energias renováveis como realidade no setor elétrico brasileiro e de vários países da América Latina. Mencionou, também, a situação privilegiada do Brasil na matriz elétrica global, altamente dependente de combustíveis fósseis. “A participação das fontes renováveis ​​em nossa matriz elétrica é de 84%, enquanto a média mundial é de apenas 25%”, disse.

Segundo o diretor-geral, fontes limpas como usinas de energia eólica e solar crescem exponencialmente no país – a segunda delas, em evolução acelerada, representa quase 4% da matriz elétrica atual. “E a tendência é aumentar ainda mais. Espera-se que a parcela de fontes renováveis ​​aumente de 84% em 2021 para 92% em 2030”. completou.

Pepitone encerrou sua participação no fórum virtual citando a Declaração de Punta Cana, emitida na última reunião presencial dos reguladores da ARIAE, na República Dominicana. “Ela deixou claro que nós, como reguladores, devemos facilitar a evolução do setor e eliminar as barreiras ao desenvolvimento tecnológico e às demandas sociais e ambientais. Precisamos promover uma regulamentação que proporcione eficiência, qualidade e redução de custos aos nossos consumidores.”