ANA- Comissão do Senado aprova indicação de Ney Maranhão para diretor da ANA

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Nesta terça-feira, 16 de junho, a Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle do Senado (CMA) aprovou a indicação de Ney Maranhão para o cargo de diretor da Agência Nacional de Águas – ANA por 13 votos a favor e um contra. Para que a indicação seja confirmada, o nome deve ser aprovado pelos senadores em deliberação no Plenário em data a ser definida.

O sabatinado abriu seu discurso contextualizando o papel da água no atual contexto de mudanças provocadas no mundo devido à ação humana. “A água é um dos recursos naturais mais expostos a esses impactos, tanto em sua dimensão quantitativa como na qualitativa”, afirma.

Outro ponto levantado por Maranhão é a desigualdade na oferta de recursos hídricos entre as diversas regiões do Brasil. “Embora o País conte com uma das maiores coleções de água do planeta, correspondendo a cerca de 12% da quantidade de água doce superficial, sua ocorrência se observa irregular, tanto em quantidade como em qualidade, no tempo e no espaço, nas características e na acessibilidade. No Brasil, temos menos água onde somos mais populosos. A incidência da água é maior exatamente onde a densidade demográfica é menor: na Amazônia brasileira”, destaca.

Em seu discurso, o especialista apontou as mudanças climáticas como maior desafio para a gestão de recursos hídricos. “Dentre os desafios a superar, talvez o mais acentuado seja o processo das alterações climáticas e os esforços decorrentes para decodificar essas mudanças”, afirma.

De acordo com Maranhão, para o enfrentamento das mudanças climáticas é necessário existir a integração de políticas públicas setoriais. “Os exemplos de situações de escassez que temos observado em todo o País mostram claramente a necessidade de uma abordagem múltipla para o enfrentamento dessas situações. Por um lado, é preciso melhor equacionar o conjunto das fontes de abastecimento com a precaução requerida pelos novos tempos”, conclui.

Sobre a prevenção de eventos hidrológicos críticos, como secas e cheias, o sabatinado destacou a importância de uma visão estratégica para responder a essas situações. “Precisamos de estratégias e técnicas que permitam prevenir, lidar e enfrentar os imprevistos, a incerteza, especialmente quando o esperado não se cumpre. É fundamental extrairmos lições das situações adversas, disciplinarmos e instrumentalizarmos a convivência com o risco em níveis acordados como aceitáveis”, opina.

Maranhão também citou aos parlamentares algumas ações da ANA que considera bem-sucedidas, como: a operação da Rede Hidrometeorológica Nacional, a elaboração dos planos de recursos hídricos e os relatórios de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil.

Além disso, o especialista ressaltou o papel da Agência no setor de recursos hídricos. “Em seus 15 anos de existência, a ANA vem consolidando de forma efetiva seu papel de agência reguladora e implementadora da Política Nacional de Recursos Hídricos no País. Sua singularidade, sua capacidade de emulação, suas realizações e seu papel na construção do primeiro estágio da governança da água no País a credenciam para ser o elemento condutor do novo ciclo de construção da governança da água”, afirma.

Ney Maranhão ainda respondeu a perguntas dos senadores sobre a transposição do São Francisco, regulação das tarifas de saneamento, pagamento por serviços ambientais (Programa Produtor de Água), gestão de recursos hídricos, entre outros temas.

Currículo

Ney Maranhão tem 69 anos e atuou na ANA como superintendente e como superintendente adjunto entre 2006 e 2013 na Área de Planejamento. Desde 2013, o especialista é secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente e também atua como secretário-executivo do Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH). O profissional atua na área desde a década de 70.

Maranhão é formado em Geologia, com especialização em Mecânica de Rochas, em Portugal. O especialista também possui doutorado em Engenharia Civil, na área de Recursos Hídricos, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ney é bacharel em Geologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e também possui especialização em Mecânica das Rochas pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil de Lisboa. Além disso, é doutor em Engenharia Civil também pela UFRJ.

 

Fonte: ANA