AGER-MT – Questões políticas atrasaram licitação

664

A ex-presidente da Ager destacou que estava defendendo uma causa coletiva, e não interesses do partido. Ele avalia se continua no PR

Uma semana após deixar a presidência da Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Estado de Mato Grosso (Ager/MT), Márcia Vandoni diz que faltou compreensão do partido quanto à sua atuação no comando da autarquia.

“O PR não conseguiu entender que eu não estava lá ocupando um cargo, mas sim defendendo uma causa coletiva, algo muito mais amplo. Estive o tempo todo lutando pela melhoria da qualidade dos serviços oferecidos à população. Defender uma causa é atitude própria de pessoas que têm visão de Estado e não de governo”, desabafou a ex-presidente.

Indicada pelo PR, Vandoni conduziu a Ager durante sete anos. Ela assumiu a presidência pela primeira vez em 2005 e foi reconduzida em 2008, com aval do ex-governador Blairo Maggi (PR). No último dia 24 de abril, deixou definitivamente o cargo, pois a legislação não permite uma nova recondução.

Durante o tempo em que permaneceu na autarquia, ela foi alvo de duras críticas por parte do próprio PR. Agora, avalia se irá permanecer na legenda que não a apoiou.

“Por hora estou no partido. Porém, estou reavaliando tudo, inclusive se continuarei ocupando cargos públicos. Estou avaliando propostas de outros lugares que não fazem parte do poder público”.

A ex-gestora atribui às “questões políticas” parte da responsabilidade pelo atraso na abertura da licitação para a exploração da concessão das linhas intermunicipais de transporte. “As questões políticas dificultaram bastante o processo. Muita coisa poderia ter sido feita antes se não fossem os entraves políticos e os interesses que existem por trás do assunto”.

As principais críticas à sua gestão foram apresentadas pelo deputado estadual Emanuel Pinheiro (PR). Em diversas oportunidades, disse ser “público e notório a péssima produção da Ager no que diz respeito à regulação do sistema de transporte”. Também foi o primeiro a criticar o edital de licitação, lançado em março deste ano.

Em resposta, o vice-governador Chico Daltro (PSD) o acusou de estar agindo em interesse próprio, pois teria ligação com um dos cinco grupos formados por 20 empresas que atualmente detêm a exploração de 94% das linhas de transporte do Estado.

Diante das críticas apontadas por Pinheiro e reforçadas por outros parlamentares, o governo do Estado se viu obrigado a alterar alguns itens do edital. Entre eles, o que fixou os valores das taxas de outorga cobradas nos oito mercados em que o Estado foi dividido.

Apesar dos entraves, Márcia Vandoni afirma que cumpriu sua missão à frente da Ager. “Deixei o cargo com a certeza de dever cumprido. Entre outras coisas, reestruturamos a agência, implantamos banco de dados informatizado, promovemos a licitação das linhas de transporte de Cuiabá e Várzea Grande e deixei pronto o edital de licitação, com o processo já em curso. Tudo o que não foi feito nesses 30 anos, fizemos em sete anos e com a certeza que a qualidade dos serviços oferecidos à população irá melhorar muito”.

Fonte: Diário de Cuiabá

{backbutton}