ADASA – Estudos alertam para o déficit na bacia do piriripau

487

Brasília (20)- Boletins de monitoramento da bacia do ribeirão Pipiripau, cujas águas servem a cerca de 400 produtores rurais e ao abastecimento de Planaltina e Sobradinho, apontam para ocorrência de déficit hídrico na região, a partir do mês de setembro. Para evitar possíveis  ocorrências de confrontos entre usuários e efeitos negativos à biota, técnicos da ADASA recomendam a observância de maior rigor na racionalidade no uso da água para os próximos meses de seca.

Os estudos e acompanhamentos sobre a previsão das vazões para os meses mais críticos indicam o risco de queda das vazões para níveis inferiores àqueles determinados pela Comissão de Acompanhamento da bacia. Embora os gráficos dos 5 pontos de monitoramento dos níveis das águas, referentes ao mês de junho, apresentem valores superiores aos mínimos estabelecidos, os mesmos estudos apontam, para setembro, níveis abaixo do limite mínimo aceitável.

Segundo o agrônomo João Pedro Melo, da Superintendência de Recursos Hídricos da ADASA e gestor do Projeto Pipiripau, todas as vazões observadas este ano, nos cinco pontos de controle, estão inferiores às observadas no mesmo período do ano passado, “o que aumenta a nossa atenção sobre a possibilidade de continuidade dessa tendência e eventuais medidas de controle”.

Por isso, salienta João Pedro, é fundamental que todos os usuários de água da bacia se atenham às práticas de maior eficiência no uso da água. Nos últimos anos, em comum acordo com os produtores, estabeleceu-se a diminuição do período de captação evitando que os usuários sofressem maiores contingências durante o período prolongado de seca no Distrito Federal.

A bacia hidrográfica do Ribeirão Pipiripau localiza-se no Distrito Federal (90,3%) e no Estado de Goiás, com área de 235 km². É  reconhecidamente estratégica pelas entidades gestoras de recursos hídricos (ANA e ADASA), onde a pressão urbana dos condomínios sobre as áreas tradicionalmente rurais acirra os problemas relacionados tanto à quantidade, quanto à qualidade de suas águas.

Às captações feitas principalmente por pequenas e médias propriedades rurais (cerca de 680 litros por segundo), soma-se a retenção feita pela CAESB, que possui outorga de captação de 400 litros por segundo. A água retirada pela CAESB atende a rede de abastecimento das Regiões Administrativas de Planaltina e Sobradinho.

O Programa Produtor de Água, em implantação nas bacias do ribeirão Pipiripau e Córrego Taquara, visa amenizar os problemas de déficit hídrico observado durante o período da seca, promovendo a revitalização ambiental das bacias hidrográficas.  Segundo João Pedro, o resultado das ações implicará, no futuro, na melhoria da qualidade e da quantidade dos recursos hídricos da região.

Até que o projeto resulte em soluções mais definitivas e amigáveis ambientalmente, os técnicos apostam que será necessário, mais uma vez, estabelecer um pacto de alocação de vazões de água a serem utilizadas, observando o estabelecido no Marco Regulatório e no balanço hídrico anual. No pacto são apresentadas as propostas de uso negociado da água, utilizando os dados de previsão de vazão para os trechos de monitoramento, levando em consideração a manutenção da vazão ecológica dos cursos de água, o abastecimento humano e os usos múltiplos.

Informações adicionais : João Pedro – 3961 5030
Fonte: Ascom/ ADASA – Paulo Cotta
Coordenador do Núcleo de Comunicação e Imprensa