ANTAQ participa de reunião da Fenavega na CNT

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A Agência Nacional de Transportes Aquaviários – ANTAQ participou, nesta terça-feira (14), da reunião da Federação Nacional das Empresas de Navegação Aquaviária, na Confederação Nacional do Transporte, em Brasília. O diretor da Agência, Adalberto Tokarski, esteve presente ao encontro, quando foram discutidos diversos temas relacionados ao transporte hidroviário.

Entre os tópicos abordados, foram dados encaminhamentos para a Carta de Belém, documento assinado por entidades ligadas ao setor no encerramento do evento Trans 2018, que aconteceu na segunda quinzena de junho na capital paraense. Na carta, havia reivindicações nas áreas de portos, hidrovias, rodovias, ferrovias e aeroportos.

Na navegação interior, por exemplo, uma das demandas trazidas no documento é o estabelecimento de um novo modelo de gestão oficial baseado no respeito ao uso múltiplo das águas, implantação de um sistema de segurança e a solução de conflitos com o setor energético. Sobre isso, um caso emblemático foi o ocorrido na Hidrovia Paraná-Tietê, que ficou paralisada durante meses, de maio de 2014 a janeiro de 2016, causando grandes prejuízos às empresas autorizadas e usuários.

Nesse período, as águas da chuva na Região Sudeste foram destinadas à produção de energia em detrimento da navegabilidade. A usina de Ilha Solteira passou a gerar mais energia, reduzindo o nível dos seus reservatórios, que são interligados pelo Canal Pereira Barreto e de Três Irmãos. Isso prejudicou a navegação na Hidrovia Paraná-Tietê. “O tema é preocupante e está no radar da ANTAQ. Priorizar a geração de energia em detrimento do transporte hidroviário gerou prejuízos enormes para o setor e criou insegurança para aqueles empresários que pretendem investir no setor. É necessário que haja um real uso múltiplo das águas”, destacou Tokarski, afirmando que esse conflito também acontece na Hidrovia do Madeira.

O diretor da Agência anunciou que realizará mais reuniões do G5 + 1, formado por Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo, estados por onde passa a Paraná-Tietê, além do governo federal. O objetivo é discutir ações em benefício da via aquaviária. “A Hidrovia Paraná-Tietê constitui um corredor hidroviário estratégico para o escoamento dos granéis agrícolas produzidos no centro-oeste brasileiro. Além disso, integra um grande sistema de transporte multimodal, apresentando-se como alternativa de corredor de exportação, conectando áreas de produção aos portos marítimos, e no sentido interior, com o Mercosul”, ressaltou Tokarski.

Durante a reunião, foram abordados também as questões da segurança da navegação e os impactos ambientais devido ao tráfego de navios na Amazônia e dos assaltos e pirataria contra as embarcações na região. “Estamos percebendo que aqueles que trabalham no setor de transporte hidroviário, sejam eles agentes públicos ou empresários, estão cada vez mais articulados e procurando se antecipar aos problemas da navegação interior nacional, isso em boa parte acontece pelo trabalho que a Fenavega desenvolve”, afirmou Tokarski.