ANCINE vai a debate com mercado do audiovisual espanhol para difundir produção brasileira e aumentar coproduções

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Na última quinta-feira, 15 de novembro, a Agência Nacional do Cinema (ANCINE), em parceria com a Fundación Cultural Hispano Brasileña e a Casa Brasil, organizaram o evento “Coproducir Con Brasil”. A programação foi realizada com o intuito de impulsionar a cooperação bilateral com a Espanha e entender os potenciais locais de forma a aumentar a competitividade das coproduções internacionais.

Christian de Castro, diretor-presidente da Agência, Gustavo Rolla, Assessor Internacional, e Eduardo Carneiro, Superintendente de Fiscalização, participaram da programação debatendo sobre análises e oportunidades envolvendo coproduções entre Brasil e Espanha. Foram citados cases de sucesso, tanto de longas-metragens, como “El Joven Paulo Coelho” e “Zama”, quanto de animações, contando com as películas “Bruxarias” e “La Tropa de Trapo”.

Christian ainda falou sobre o Marco Legal do Mercado do Audiovisual e seus principais benefícios: “Nos últimos cinco anos, temos o registro de 137 coproduções internacionais, sejam elas bilaterais ou multilaterais. A partir do momento que o Brasil criou o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), mais potente e com maior capacidade de investimento, abriram-se novos arranjos, e, atualmente, as produções entre brasileiros e espanhóis está acontecendo de uma maneira mais importante. Podemos perceber isso tanto na área de ficção como na animação.”

No mesmo evento, Gustavo Rolla, Assessor Internacional da ANCINE, participou de uma mesa sobre animação em coproduções internacionais, tendo como foco as formas de aumentar a competitividade das obras de animação. A desburocratização foi destaque: do lado público, pela necessidade de se reduzir o excessos de regras; e do lado privado, pelo aperfeiçoamento dos eventos de networking com produtores e talentos da indústria do audiovisual binacional gerando um ambiente para projetos em conjunto.

O grupo também falou sobre capacitação do mercado do audiovisual, com ênfase em temas como a forma de preparar novos entrantes e o impulsionamento de talentos internacionais. Além de Gustavo, também participaram da mesa de debates José Luiz Farias, Coordenador do Prêmios Quirino; Carlos Biern, presidente da DIBOOS; Chelo Loureiro, produtora da ABANO Produções; Fernando de Miguel,  produtor da Wandermoon Films e Victor Sánchez, Coordenador da Unidade Técnica da IBERMEDIA.

Em entrevista à Rádio Nacional da Espanha, o diretor-presidente também comentou sobre mercado do audiovisual brasileiro, economia criativa e seus novos desafios:

“O Mercado audiovisual brasileiro é muito forte e potente, uma vez que há uma diversidade cultural muito grande. Essa diversidade se sobrepõe ao aspecto econômico da atividade do setor. Hoje não há uma comunicação muito estruturada a respeito dessa economia criativa, se falando muito pouco do quanto geramos de valor. Temos esse cunho econômico muito forte e empregamos muito. Para se ter uma noção, contribuímos mais para o PIB, do que a indústria têxtil ou a farmacêutica. Com a capacidade de empregar desde o perfil mais técnico até um PhD, o todo da economia criativa no Brasil gira em torno de 2,5% do PIB, gerando mais de 1 milhão de empregos. É um número muito relevante dentro da matriz econômica brasileira e é isso que queremos mostrar agora, toda essa dimensão econômica. Este é um debate saudável, pois temos a oportunidade de mostrar esta dimensão e consolidar o valor tangível, além do intangível – até porque todo mundo consome cultura, de uma forma ou de outra. Paralelo a isto, estamos no esforço de expandir ainda mais o mercado internacional, gerando divisas. gestão de portfólio de produto, como o mercado financeiro”, disse ele.

Sobre o “Coproducir con Brasil”
O Brasil é um dos países iberoamericanos com maior potencial para o setor do audiovisual. Coincidindo com a visita do presidente da ANCINE, Christian de Castro, instituições e associações espanholas preparam essa agenda para que produtores espanhóis estejam a par dos incentivos que o Brasil oferece para filmar em seu território e coproduzir com suas empresas do mercado do audiovisual.