Agepan fiscaliza e orienta motoristas sobre carona amiga em MS

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A Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agepan) realizou na segunda-feira (17) uma fiscalização direcionada a orientar os viajantes sobre a chamada “carona amiga” em carros de passeio. O serviço particular não autorizado de transporte de pessoas mediante cobrança, como se fosse um bilhete de passagem, é proibido, porque infringe as normas do sistema de transporte rodoviário intermunicipal de passageiros.

A operação foi realizada durante a manhã, na BR-262, região de Terenos, um dos pontos de passagem de veículos vindos de diversos municípios do oeste do Estado, de onde a Agência tem conhecimento da constante oferta da viagem remunerada.

Os fiscais abordaram em torno de 20 veículos, aproveitando também para verificar a regularidade de ônibus e micro-ônibus.

Não houve flagrante de “carona amiga” ilegal, e os fiscais orientaram motoristas de carros de passeio sobre a importância de não infringir as normas oferecendo ou aceitando pedidos para transportar pessoas mediante pagamento pelo serviço.

A prática de “carona” não interfere no serviço público de transporte, desde que não seja desvirtuada com a cobrança por parte do condutor. Nos municípios da região oeste e também do norte (de cidades como Coxim) a Agência tem conhecimento de intensa movimentação de caroneiros, sendo que muitos desvirtuam a prática privada de simples oferta de lugar no veículo, fazendo dessa uma modalidade de negócio.

O diretor de Transportes da Agepan, Ayrton Rodrigues, lembra que não existe na legislação qualquer permissão de fazer transporte intermunicipal remunerado em carro de passeio. A situação não é passível de autuação e pode ser considerada a legítima “carona amiga” se respeitar algumas condições:

•       Não pode ter lucro. Um eventual rateio de despesa da viagem é o limite do que pode ser entendido como “carona”.

•       Não se destina a que o motorista tenha ganho financeiro com a prática como se fosse um prestador de serviço, o que caracteriza transporte clandestino.

•       Somente pode ser entendido como “carona” quando a pessoa que a oferece é que tem a motivação primária para a viagem. Um proprietário de veículo não pode cobrar para fazer uma viagem remunerada unicamente para atender à necessidade dos demais viajantes, como se fosse um transportador profissional.

•       Não pode ter regularidade (frequência estabelecida) que não seja a do próprio motorista (de quem oferta a carona).

Riscos

Além da interferência que causa no sistema de transporte regular, a Agepan alerta para os riscos – aos direitos e à segurança – que o serviço clandestino representa.

•       É uma concorrência desleal em um sistema público de transporte.

•       O transporte legalizado tem custos oficiais a bancar: salários, compra e manutenção de veículos, taxas de embarque. Os clandestinos prejudicam e encarecem o sistema legal. Ocorrendo de forma excessiva, essa prática pode ter impacto social negativo, com queda de demanda e consequente redução da quantidade de horários ofertados. Menos passageiros significa menos trabalhadores empregados no sistema, e risco de aumento de tarifa para quem só utiliza o transporte legal.

•       O transporte clandestino não oferta as gratuidades legais. Em Mato Grosso do Sul: gratuidade para idosos e pessoas com deficiência; e desconto para idosos.