ADASA participa do XXIII Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos

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Até o dia 28 de novembro, a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa) participa em Foz do Iguaçu (PR) do XXIII Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos (SBRH), principal evento do setor na América Latina. Estão sendo apresentados 10 trabalhos realizados pelo órgão regulador, nas áreas de monitoramento de vazões outorgadas, mapeamento de áreas irrigadas, recarga artificial de aquíferos e alocação negociada.

O coordenador de Regulação e Outorga da Superintendência de Drenagem, Jeferson da Costa, destaca em sua exposição a análise de várias tipologias de sistemas de infiltração da água de chuva no solo para a redução de cheias e recarga do lençol freático. O avanço da urbanização e a concentração populacional têm aumentado a impermeabilização do solo e reduzido a infiltração da água, o que pode comprometer a disponibilidade hídrica. O estudo avalia o dimensionamento dos sistemas de infiltração por trincheiras, valas e poços e seus respectivos custos, para ser utilizado como referência em projetos de sistema de drenagem urbana. O trabalho contou com a colaboração do Programa de Tecnologia Ambiental de Recursos Hídricos da Universidade de Brasília (UnB).

O êxito da gestão compartilhada na Bacia do Rio Preto e o monitoramento criterioso de áreas irrigadas naquela região são outros dois trabalhos que a Adasa apresentados durante o Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos.

A Bacia do Rio Preto caracteriza-se pela produção de grãos, hortigranjeiros, pecuária e agroindústrias e pelo uso intensivo dos recursos hídricos em sistemas de irrigação de grande porte. Inspirados no processo de alocação negociada desenvolvido pela Adasa na região, produtores locais elaboraram planilhas com a definição dos períodos de plantio e do volume de água demandado por usuário e, com base nessas informações, estabeleceram períodos de acionamento dos pivôs-centrais utilizados para irrigação. O monitoramento da captação de água é feito pelos próprios produtores, por meio de sistema implantado por eles, via aplicativo. O objetivo da apresentação, segundo a reguladora da coordenação de outorga da Superintendência de Recursos Hídricos, Adriana Maria Maniçoba, é mostrar que esse modelo de gestão compartilhada está funcionando muito bem em uma bacia com sérios problemas de disponibilidade hídrica.

O uso intensivo de água por pivôs de irrigação, na Bacia do Rio Preto, requer vigilância por parte do órgão regulador. Estudo desenvolvido pela Adasa por meio de imagens de satélite constatou que o total de áreas irrigadas corresponde a 18% da bacia.

As diretrizes para o controle e monitoramento das vazões outorgadas e a qualidade da água para a garantia da segurança hídrica serão outros dois pontos abordados no Simpósio. O superintendente de Recursos Hídricos, Gustavo Antonio Carneiro, falará sobre os níveis de exigência para o monitoramento do uso da água (simplificado, intermediário e avançado) para cada tipo de usuário e sobre os esforços desenvolvidos pela Adasa para garantir a qualidade da água no Lago Paranoá, que é estratégico para a segurança hídrica, por ser um manancial de abastecimento.  Além de ações contínuas de monitoramento da qualidade da água no DF, o órgão regulador vem executando trabalho técnico, em parceria com a Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb), na revisão de outorgas de lançamento de efluentes para garantir que os corpos hídricos receptores consigam assimilar a carga de esgoto.

O diretor da Adasa, Jorge Werneck, fala das experiências e avanços alcançados em decorrência da crise hídrica ocorrida no DF e das tecnologias e inovações que a Adasa vem desenvolvendo na área de gestão de recursos hídricos. Em relação à crise, serão apresentadas as 21 estratégias utilizadas no enfrentamento do período de escassez hídrica (2016-2018) no Distrito Federal como: avanço na obtenção e divulgação de dados hidrológicos, governança e gestão integrada de recursos hídricos, regulação, tarifa de contingência e implantação de obras de infraestrutura.

Em mesa redonda sobre tecnologias e informações em Recursos Hídricos, Werneck destaca a integração de ações de regulação e a implantação de novas tecnologias com a participação de agricultores na gestão compartilhada da água em bacias críticas. Serão apresentadas resoluções que orientam o processo de alocação negociada no Distrito Federal, bem como o monitoramento das vazões captadas, e de que forma essas ações têm favorecido a implantação de tecnologias e a participação da sociedade na gestão dos recursos hídricos. A apresentação também inclui ações relacionadas ao Projeto Adasa 4.0 de transformação digital da Agência.

O objetivo do Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos é compartilhar temas relevantes do setor, por intermédio de profissionais, área acadêmica e sociedade. O evento termina na quinta-feira, dia 28 de novembro.

Reforço ao espírito do 8º Fórum Mundial

Em evento paralelo ao Simpósio, a Agência Nacional de Águas (ANA), a Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRHidro) e a Sessão Brasileira do Fórum Mundial da Água promoverão o “Diálogo sobre gestão de Água nas Américas”, para reunir instituições de todas as regiões do continente americano e criar um ambiente de compartilhamento de experiências na gestão da água. O objetivo é dar continuidade ao espírito proposto no 8º Fórum Mundial da Água, realizado no ano passado, em Brasília, e criar a plataforma “Água das Américas” para ressaltar a importância do tema água na agenda política.